domingo, 18 de junho de 2017

A história da interação humana com o meio ambiente

(Por Gustavo Araujo, Rafael Guimarães e Thaís Agarrallua)



Este primeiro texto visa trazer como se deu a relação do homem com o meio ambiente. Demonstrando os principais períodos que trouxeram a evolução do contato entre a espécie humana com a natureza e o surgimento das políticas ambientais para proteção e preservação do ecossistema.
Desde os primórdios sempre houve uma interação de maneira evolutiva – isso não significa um benefício ou malefício, e sim, a intensidade do contato estava em gradativo crescimento – entre o ambiente e a espécie humana. Tal relação inicia semelhantemente a dos animais que viviam juntamente com os seres humanos, uma política extrativista, tudo que a natureza produzia e oferecia era retirado até a extinção e, após, procuravam-se novos lugares para iniciar a extração, novamente, dos recursos que dispunha naquele local.
As diferenças entre a interação ambiental dos animais com o homem começaram a surgir após o controle do fogo, criando assim as distinções e definido o grau de racionalidade do ser humano. A utilização do fogo para cozinhar os alimentos, aquecer o local, proteção das famílias, entre outras atividades, fizeram com o que os grupos hominídeos deixassem a característica nômade e passassem a permanecer longos períodos em um mesmo território, assim, dando a oportunidade do aprendizado para atividades agroeconômicas.
Com o surgimento das atividades agroeconômicas, principalmente pela agricultura, há um salto decisivo na interação com o meio-ambiente. Iniciou-se a grande exploração da terra, níveis de desmatamento em grau elevado para a realização do plantio e outras atividades, como pecuária. Enquanto a interação com o meio ambiente se tornava cada vez mais evoluída a espécie humana evoluiu juntamente com este contato, da sobrevivência para as operações mercadológicas. Surgindo assim a supremacia da vontade do homem em relação a natureza.
Enquanto as atividades agroeconômicas estavam se destacando em grandes áreas do globo terrestre, surgiu as Revoluções Industriais. Onde temos um novo salto de interação humana com a natureza. Este período ficou marcado por provocar grandes danos ambientais, no uso intensivo de grandes reservas de energias não renováveis, como petróleo e os combustíveis fósseis.
Com os grandes danos ambientais que surgiram com as Revoluções Industriais, foram criados diversos organismos nacionais e internacionais para proteção e preservação do meio-ambiente, WWF, Greenpeace, ONU (Organização das Nações Unidas), MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) entre outros. Preocupados pelos danos causados pela sociedade humana para com a biodiversidade do planeta. Afim de criar um equilíbrio entre a natureza e a espécie humana.


Após diversos tipos de interação com o ecossistema, fora necessário a criação de medidas para a preservação e criação de um equilíbrio do meio ambiente com as capacidades econômicas da sociedade. Este feito recebe o nome de Política Ambiental, onde estaremos explicando nas próximas publicações o que é e como funciona essa atividade tão importante para o planeta.  

Fontes: THOMAS,  Janet & CALLAN, Scott. Economia Ambiental: aplicações, políticas e teoria. Trad. Antonio Claudio Lot. São Paulo: Cengage Learning, 2010.
ROMERO, Ademar R. Economia ou economia política da sustentabilidade, Texto para discussão. IE/UNICAMP n. 102, set. 2001.
LOYOLA, Roger G. A Economia Ambiental e a Economia Ecológica: Uma Discussão Teórica. S.D.
ARBACHE, Ana P. O Que É Economia Ambiental E Economia De Recursos Naturais?. 2012. Disponível em: <http://www.arbache.com/blog/2012/07/o-que-%C3%A9-economia-ambiental-e-economia-de-recursos-naturais.html> Acesso, 09/06/2017.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Desafios da política industrial

(por Diogo Machado, Leonardo Souza e Luizvaldo Kroll Bujes)

  
    Uns dos grandes desafios para aplicar uma política industrial eficiente é identificar os setores que apresentam um elevado retorno social. Ou seja, nem sempre investir nos setores de alta tecnologia e inovação, é a melhor opção. Se sairmos da visão neoschumpeteriana para uma visão mais prática — no qual todos os setores são incentivados e contam com algum suporte do governo. Essa mudança é para justificar uma política industrial em uma economia com estrutura industrial diversificada como a brasileira. O dilema é optar por uma política industrial voltada à setores de inovação ou uma política mais pragmática e abrangente, envolvendo vários setores da indústria de um país. As políticas industriais modernas vem encontrando essa dificuldade não somente no Brasil, mas em toda América Latina. Ademais, políticas industriais para serem eficientes levam algum tempo para se desenvolver e retornar os resultados esperados para sociedade, o que normalmente ocorre a longo prazo, mas o que vemos nas políticas atuais são exigências de mostrarem resultados no curto prazo e no ciclo eleitoral. E os próprios setores podem influenciar onde os incentivos serão alocados, através de lobby. Como todos querem uma fatia maior do montante à ser disponibilizado, estão dispostos a gastar para convencer políticos e gestores a lhes conceder tais benefícios. Nesse cenário, os empresários terão mais interesse em estabelecer pactos com políticos, ao invés de investir em inovação e adotarem técnicas mais modernas, que levariam a ganhos de eficiência. 

A força de políticas industriais ineficientes

Investir em setores sem um alto retorno social pode gerar efeito contrário ao desejado: custos maiores que benefícios e redução de eficiência da economia. É comum vermos casos de empresas que são apoiadas pelo governo e que, dificilmente, se encaixariam na definição da política industrial. Há, por exemplo, setores tradicionais e estabelecidos há um bom tempo que não são particularmente inovadores ou que poderiam se encaixar na definição de indústria nascente. E, mesmo assim, recebem ajuda do governo. Isso acontece porque a política industrial tem efeitos distributivos e há, portanto, ganhadores e perdedores. Quem ganha com esses estímulos dados pelo governo? As pessoas associadas ao setor incentivado: empresários do setor aumentam seus lucros e trabalhadores com habilidades específicas ao setor têm ganhos salariais. Os ganhos são concentrados em um conjunto pequeno de pessoas, que estarão dispostas a gastar tempo e dinheiro para pressionar políticos a levar a política em frente. Esse grupo também tende a ser homogêneo, isto é, seus interesses são alinhados, de modo que terão mais facilidade em se organizar para influenciar na escolha de políticas públicas.
As perdas associadas à política industrial, no entanto, são espalhadas em um grupo bem maior. No caso da política ser realizada via subsídio a um setor em específico, o dinheiro do subsídio tem que vir de algum lugar - em geral, vem da arrecadação de impostos. O custo da política, portanto, recai sobre os contribuintes, um grupo bem maior e espalhado. E como há um grande número de contribuintes, o custo individual tende a ser pequeno. Neste caso, o grupo beneficiado tem todo o incentivo do mundo a lutar por sua implementação e manutenção. Mas o grupo prejudicado, apesar de mais numeroso, é bem heterogêneo e tem dificuldades de se organizar para barrar essas políticas. Algumas pessoas sequer ficam sabendo da existência delas. E como a perda individual tende a ser pequena e espalhada, elas têm pouco incentivo individual a lutar contra tais políticas.
O resultado disso tudo são políticas ineficientes que persistem por um longo tempo.


“Para aumentar sua efetividade, a política industrial deve operar através da concessão de benefícios por prazos limitados, condicionados ao cumprimento de metas de desempenho e contrapartidas por parte dos beneficiários do apoio público“ (KUPFER, 2003, p.106).

“O sucesso da política industrial dependerá crucialmente da habilidade do Estado em direcionar capital para as atividades selecionadas, para o que a proficiência no desenvolvimento de um sistema de financiamento de longo prazo para o investimento joga papel decisivo” (KUPFER, 2003, p.106).

“Não se pode esquecer que os recursos para fazer política são limitados e os processos decisórios são carregados de racionalidade limitada. Por lidar com o longo prazo, a política industrial opera ela própria sob incerteza, fazendo da existência da uma institucionalidade altamente capacitada talvez o mais importante requisito para o seu sucesso” (KUPFER, 2003, p.107).

Referências Bibliográficas 

KUPFER, David. Revista Econômica: Política Industrial. Rio de Janeiro/RJ —2004.
Texto para Discussão n° 1452, Desafios da Real Política Industrial Brasileira do Século XXI. Brasília, dezembro de 2009.

Estudo de Caso: A Lei de Informática no Brasil

(por Diogo Machado, Leonardo Souza e Luizvaldo Kroll Bujes)

   Política Nacional de Informática


   A Política Nacional da Informática (PNI) ou simplesmente, Lei da Informática (conforme as leis 8.248/91, 10.176/01, 11.077/04 e 13.023/14) visava, desde a sua aprovação em outubro de 1984, estimular as empresas do setor de tecnologia (áreas de hardware  e automação), que investiam em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).  A ideia original era, proteger as empresas nacionais das concorrências multinacionais do setor através de um reserva de mercado, dessa forma, as fabricantes nacionais teriam condições de desenvolver tecnologias cem por cento nacionais e posteriormente com o aumento do seu know-how, poderiam competir igualmente com suas concorrentes estrangeiras, quando as reservas de mercados chegassem ao fim. Entretanto, duras críticas recaíram sobre a Lei da Informática, entre inúmeras, destacam-se: danos  aos consumidores, suspeita de quebras de patentes e violação de propriedade Intelectual internacional. Tudo isso se deve à falta de visão estratégica, e incentivos para desenvolvimento de softwares, ausência de total de cooperação entre indústrias do setor e com universidades para criação de novas tecnologias.
   Um aspecto positivo da Lei da Informática na época, foi o crescimento acelerado das indústrias do setor, uma vez que, havia a presença maciça nacional, a criação de empregos diretos e um alto nível financeiro de gastos com P&D, contrariando todo o resto da indústria de transformação que sofria com a chamada década perdida.
   Para fazer jus aos incentivos provenientes da lei, as empresas de hardware e automação deveriam: investir em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D); comprovar regularidade fiscal; e serem produtoras de algum item cujo NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) conste  na lista de produtos incentivados pela Lei. Sendo assim, para seus produtos receberem os incentivos, as empresas precisavam verificar se o código NCM do seu produto constava na lista de produtos incentiváveis. Os softwares não são incentivados pela Lei, pelo fato de não haver incidência de IPI sobre eles.

   Entre os estímulos, destacam-se:



Imposto sobre Produto Industrializado — IPI. Este incentivo aplica-se às empresas que industrializam produtos de informática. Estão isentos do IPI, até outubro de 1999, os produtos fabricados no País de acordo com as regras do 
Processo Produtivo Básico, propiciando uma redução média em torno de 15% do custo final do produto;


Imposto de Renda — IR. As empresas que produzem bens e produtos de informática puderam reduzir em até 50% do Imposto de Renda devido em cada ano fiscal, as despesas em atividades de P&D. Este incentivo teve validade até dezembro de 1997;

Capitalização — Qualquer empresa pôde deduzir 1% do Imposto de Renda devido em cada ano fiscal, na compra de novas ações de empresas brasileiras de capital nacional que tinham como atividade principal a produção de bens e serviços de informática. Este incentivo foi válido até o ano fiscal de 1997;

Preferência nas compras governamentais — Em condições equivalentes de técnica e preço, o governo dá preferência à aquisição de bens e serviços de informática desenvolvidos e produzidos no País. 

Em contrapartida, era exigido das empresas:


Investimentos em P&D — Aplicação de pelo menos 5% do faturamento das empresas em atividades de P&D, sendo 2% em convênio com universidades, institutos de pesquisa ou Programas Prioritários em Informática;

Industrialização — atendimento às regras do Processo Produtivo Básico (PPB) — Constitui-se no critério mínimo de industrialização para cada classe de produto, em substituição ao conceito anterior de índice de nacionalização, permitindo focalizar em nichos da cadeia produtiva e a consequente seletividade de produtos, partes e peças a serem fabricados localmente;

Qualidade — Obtenção de certificação ISO 9000 dos Sistemas da Qualidade das empresas, em prazo não superior a dois anos. 


Portando, se avaliarmos a necessidade dessa política na perspectiva da indústria que nascia na época, basicamente, veremos ser necessária — mas não suficiente. Para que funcionasse, deveria ocorrer uma queda dos custos médios de produção interno, mais rápido do que os custos das empresas estrangeiras. Pois, conforme a produção acumulada aumenta e as empresas adquirem experiência, o setor registra ganhos de produtividade, aproximando-se dos níveis de competitividade externos. Com isso, os preços dos computadores deveriam ter caído aqui Brasil, em comparação à outros países. Contudo isso não aconteceu, o que vimos foi uma diminuição de preços tanto aqui como no exterior, mas os nossos não tiveram uma queda mais acelerada como o esperado. E enquanto a política esteve vigorando, nossos preços se mantiveram mais altos do que no exterior.
   Um dos custos dessa política ineficiente foi a quantidade de pessoas que deixaram de ser expostas a computadores, em virtude dos altos custos, nessa época, justamente quando eles começavam a se tornar essenciais no mercado de trabalho.


Referências Bibliográficas 
Lei da Informática. Disponível em: < http://leidainformatica.com/a-lei-de-informatica/ >. Acesso em: 02 de Julho de 2017.

Wikipédia, Política Nacional de Informática. Disponível em: < https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtica_Nacional_de_Informática >. Acesso em: 03 de Julho de 2017.


terça-feira, 6 de junho de 2017

Política Industrial

(por Diogo Machado, Leonardo Souza e Luizvaldo Kroll Bujes)

   O que é Política Industrial?


   Conforme suas diferentes bases teórica-analíticas, economistas, defendem ou atacam a participação do Estado no fomento das atividades produtivas de um país. Entre essas bases, são três as que se destacam: Ortodoxa, Desenvolvimentista e evolucionista.
   Mas o que é isso, o que são essas interferências do Estado na indústria e para que servem? Bem, a isso, damos o nome de Política Industrial, que conceitualmente falando é o conjunto de incentivos e regulações associadas a ações, que podem afetar a alocação Inter e Intraindustrial de recursos, influenciando a estrutura produtiva e patrimonial, a conduta e o desempenho dos agentes econômicos em um determinado espaço nacional, ou seja, são ferramentas que o governo utiliza para incentivar setores específicos da economia, comumente ligados à indústria de transformação. Em geral, tais setores são estratégicos, tornando-os importantes para o desenvolvimento do país em questão.
   Um exemplo clássico de aplicação da política industrial é através da concessão de subsídios a determinados setores, isto é, o governo dá uma quantia a mais para as empresas do setor alvo da política toda vez que elas vendem uma unidade de seu produto. Se o preço do produto é 10 reais, e o subsídio é 1 real, quer dizer que as empresas do setor recebem 11 reais por cada unidade. Em muitos países os subsídios são praticados, através de empréstimos e financiamentos com taxas mais baixas que a do mercado. No Brasil esse papel é desempenhado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDS), obtidas por meio de recursos governamentais ou via direcionamento de crédito.

Ótica Ortodoxa (Falhas no Mercado)

Nessa ótica, o mercado competitivo é aquele que consegue alocar com eficiência os seus recursos. Portanto, se houver uma igualdade competitiva no mercado, a política industrial é desnecessária e, principalmente, indesejável. Agora, se o mecanismo de preço não capturar todos os benefícios e custos de oportunidade associadas à produção e ao consumo de bens, ocorrerá o que alguns economistas denominam de Falhas no Mercado. Nesse caso, a intervenção pública é passiva, mirando somente aquelas condições de funcionamento perfeito da alocação, através de mercados competitivos. Porém, não é simples avaliar qual das falhas de mercado merecem intervenção do governo, para isso, o primeiro passo é a classificação, onde é possível enumerar cinco tipos principais:

1. Estrutura Oligopolizadas ou Monopolizadas — devido a existência da economia de escala, alguns monopólios naturais podem aparecer e, além disso, a predominância de mercados oligopolizados, torna a política industrial muito relevante, nesse contexto, seu principal instrumento é a política da concorrência, reduzindo o poder de mercados das grandes empresas. Buscando assim, evitar que esse poder de mercado nas mãos de poucos resulte em perda de bem-estar para o consumidor.

2. Externalidade — ocorre quando as decisões de uma agente econômico afetam, positivamente ou negativamente outro agente. Um exemplo disso, é a poluição. Se considerarmos duas empresas próximas, onde a primeira além da sua produção, também gera poluição ao meio ambiente o que afeta a cadeia produtiva da segunda empresa. O custo dessa poluição afeta somente a segunda empresa. Nesse caso, uma política a ser tomada é a fusão entre as empresas evolvidas, assim todas as decisões positivas ou negativas seriam contabilizadas, pela tomadora de decisões.

3. Fornecimento de Bens Públicos — devido suas características principais de não exclusividade e a não rivalidade. O mercado tende a falhar no fornecimento de bens públicos, pois os incentivos para as empresas que ofertam são insuficientes. Como solução, esses bens devem ser ofertados diretamente pelo Estado ou por meio de concessões.

4. Bens de Propriedades Comum — estimula o comportamento incompatíveis com o ótimo social. Nesse caso, caberá ao Estado disciplinar a taxa de exploração de propriedades comuns, para que certas políticas predatórias não comprometam a viabilidade futura da atividade.

5. Diferença quanto às Preferências Intertemporais Sociais e Privados — é quando, mesmo havendo um grande interesse da sociedade, não há um interesse do setor privado para produção de um bem ou serviço, devido ao retorno demorado e investimentos nesse campo. Cabe então, ao Estado prover o produto ou serviço e criar incentivos para que o setor privado o faça.
Em sintaxe, quando os mercados falham em usar eficientemente os recursos, o Estado precisa intervir através das políticas industriais com finalidade essencialmente corretiva, para amenizar os impactos negativos das falhas de mercado.

Ótica Desenvolvimentista

Diferente da anterior, nessa ótica o Estado assume um papel ativo, que estabelece a capacidade de promover e sustentar o desenvolvimento, combinando altas taxas de crescimento econômico e mudança estrutural no sistema produtivo. Para isso, os desenvolvimentistas levam em consideração três condições:


O Contexto Específico — as características intrínsecas da nação onde a intervenção está sendo empreendida.

O Tempo Histórico — em que estágio de desenvolvimento de um país, estão sendo implementadas as políticas ativas.

O contexto Internacional — conforme diferentes momentos do tempo, o contexto internacional ajuda a definir se as políticas intervencionistas são aceitas ou não, facilitando ou dificultando a ação do Estado específico.

O apoio à indústria nascente é a argumentação usada para a intervenção, em razão dos custos mais elevados iniciais, mercado pequeno e falta de economia de escala. Logo, a não intervenção levaria a perpetuar uma divisão internacional do trabalho. A proteção à indústria nascente possui duas premissas básicas:

1. O custo de produção, que tende a se reduzir conforme os fabricantes se aproveitarem das economias de aprendizagem.

2. A proteção deve ser temporária, para equalizar os preços internos com os internacionais e não prejudicar o consumidor doméstico.

Em um Estado desenvolvimentista, as políticas beneficiam o setor privado e a empresa nacional, priorizando o crescimento, a produtividade e a rivalidade entre elas, se espelhando na melhor prática internacional. Para isso, o Estado dispõe de agentes técnicos e capacitados, dotados dos instrumentos de intervenção necessárias.


Ótica Evolucionista

Aqui veremos, uma política industrial que destaca as relações entre a estrutura de mercado, estratégia empresarial e progresso técnico. Essas relações são de fundamental importância, pois aí se ressalta não apenas como a estrutura de mercado influencia as estratégias empresariais, mas também como as estratégias empresariais possuem a capacidade de alterar as próprias estruturas de mercado. 
Para Schumpeter, esta abordagem enfatiza que as inovações se constituem no motor do desenvolvimento do capitalismo.
Motivadas por esse cenário, as empresas investem na formação de competências para criar assimetrias competitivas, diferenciais produtos e ganhar posições no mercado, buscando sempre ficar à frente de seus concorrentes.
Quatro aspectos são chaves para o entendimento desta abordagem: 

1. Concorrência por inovação tecnológica: Diferentemente da concorrência via preços, aqui se enfatiza a competição por meio de inovações e seus efeitos dinâmicos.

2. Cooperação entre agentes econômicos: obtenção de vantagens para empresas que cooperam com outras empresas, universidades, centros de pesquisas e inclusive consumidores.

3. Estratégia, capacitação e desempenho: As Empresas definem caminhos, dada a capacitação existente; alocam recursos para o aumento da capacitação e definem o padrão de eficiência e a diferenciação dos produtos.

4. Importância do ambiente e processo seletivo: O Estado induz a inovação e aloca incentivos em setores específicos, a longo prazo, as tecnologias superiores têm maior importância econômica, e os agentes mais eficientes permanecem no mercado.
O objetivo das políticas industriais nesse cenário, é estimular o ambiente competitivo entre os agentes econômicos, incentivando a demanda e a oferta de novas tecnologias. Subsidiar empresas interessadas em divulgar novas tecnologias e estimula-las a experimentar, introduzir serviços, produtos e processos superiores. Assim como, desenvolver capacitações, articulações e alianças estratégicas.

Custos da política industrial

Um dos principais motivos para a política industrial, é quando um determinado setor da economia não consegue se desenvolver sozinho. Por esse motivo, o governo intervém através de políticas de incentivos, criando assim, interesse do setor privado a investir nessas atividades, o que não aconteceria antes, pois o retorno de tais setores baixo, comparado a outras atividades. Para proteger determinado setor, o governo está artificialmente aumentando seu retorno. Entretanto, conforme às atividades desse se expandem, é preciso trazer fatores de produção de outros setores da economia.
Se o governo resolver, por exemplo, estimular a indústria de eletrônicos e que ela passe a crescer. Com o crescimento, as empresas desse setor precisarão contratar mão de obra alocada em outras indústrias, prejudicando as mesmas. Porém, essas industrias tem um retorno privado alto em comparação ao setor de eletrônicos (se isso não fosse verdade, esse último não precisaria do estímulo). Esse estímulo do governo faz com que fatores de produção escassos de setores mais produtivos vão para setores menos produtivos. Portanto, temos um uso ineficiente de recursos, o que se constitui o principal custo da política industrial.


Benefícios da política industrial

Isso ocorre quando o setor protegido apresenta um retorno social superior ao retorno privado. Por exemplo, se as empresas do setor em questão produzirem mais, elas descobrem técnicas novas e mais produtivas nesse processo, espalhando-se para outras empresas. Contudo, o retorno privado só informa quanto o aumento da produção impactou no lucro da própria empresa, mas o impacto total na economia é dado pelo retorno social, que, nesse caso, é maior que o privado.

Como Seria Isso?

Suponha que um empresário está considerando abrir uma fábrica de supercondutores em um país. Ele faz um estudo, e conclui que o retorno privado da empreitada é de 3%. Mas o retorno de investir em títulos públicos do país é 5%. Nesse caso, não é interessante colocar dinheiro na fábrica, e o empresário opta pelos títulos públicos.
Entretanto, a fábrica tem potencial de gerar uma série de inovações em seu processo produtivo, as quais podem aumentar a produtividade de outras indústrias nesse país. Em outras palavras, o retorno social é maior que o privado. Suponha que esse retorno social seja 6%. O governo pode então dar um subsídio ao empresário, que torne o retorno privado um pouco maior que 5%. Dessa forma, o investimento se torna viável.

Referências Bibliográficas 
KUPFER, David e HASENCLEVER, Lia. Economia Industrial: Fundamentos Teóricos e Práticos no Brasil. Rio de Janeiro/RJ: Elsevier, 2013.


segunda-feira, 5 de junho de 2017

Concorrência Schumpeteriana - Continuação

(por Eduardo Pakulski Saleh, Gislaine Pereira e Maicon)

   O Pensamento Neo-Schumpeteriano


   A partir do final dos anos 70, alguns economistas e sociólogos inspirados na teoria de Schumpeter, começaram a aprimorá-la. A teoria neoclássica defende que o progresso tecnológico com o resultado das inovações é exógeno ao sistema econômico, porém, em contraponto, a teoria neo-schumpeteriana as define como sendo endógenas ao sistema econômico.

   Eles intensificaram os estudos na teoria Schumpeteriana, aplicando esses estudos a diversos assuntos, dentre os quais, invenção, inovação e ainda a interação entre o padrão tecnológico e a infraestrutura institucional. 

   O sistema Schumpeteriano evoluiu envolvendo transformações econômicas, políticas, sociais e culturais, o que resulta na mudança do ambiente. Os autores neo-schumpeterianos defendem que a concorrência não somente gera comportamentos adaptativos como também gera atitudes ou iniciativas inovadoras.

   Podem ser citados como principais autores relacionados aos aprofundamentos do pensamento Schumpeteriano:
Nathan Rosenberg;
   Traz a idéia de gargalos que exigem soluções para dinamizar a economia
Christopher Freeman; 
   Revela as características básicas das estratégicas tecnológicas que as empresas adotam
Richard R., Nelson & Sidney G. Winter;
   Consideram que a concorrência schumpeteriana tende a produzir vencedores e perdedores, havendo algumas firmas que irão tirar maior proveito das oportunidades técnicas do que outras.
Giovanni Dosi.
Complementa a ideia de estratégia tecnológica, com a ideia de um padrão de solução de problemas técnico-econômicos, denominado “paradigma tecnológico”.

A quarta revolução tecnológica

 As condições tecnológicas de que dispomos nos dias atuais se devem à três revoluções industriais, a saber:

   Primeira revolução industrial
  Aconteceu na segunda metade do século XVIII, na Inglaterra, tendo como principais inovações a máquina a vapor e o tear mecânico, a principal fonte de energia era o carvão mineral.

   Segunda revolução industrial
   Aconteceu no final do século XIX, abrangendo países como EUA, França, Japão e Alemanha, tendo como principais inovações os motores de combustão interna utilizados até hoje em automóveis, as redes de energia elétrica e telecomunicação, a lâmpada elétrica, o telefone e o rádio estão entre elas também. A principal fonte de energia nessa época foi o petróleo, que até hoje possui importância vital para a manutenção da sociedade tecnológica.

   Terceira revolução industrial
   Aconteceu na segunda metade do século XX, e teve início principalmente nos EUA e Japão. As principais inovações dessa era são a informática, robótica, microeletrônica, automação e o advento da internet. O sílício aparece como importante matéria prima e fontes de energia como a nuclear ganham bastante espaço na matrtiz energética.

   Quarta revolução industrial
   Além dos movimentos voltados para a utilização de energias renováveis, que apesar de já responderem por parcela significativa da matriz energética, ainda não substituem as antigas matrizes como o carvão, petróleo e energia nuclear, umas das apostas para a quarta revolução industrial é a Internet das Coisas, ou “IoT”, do inglês Internet of Things, conceito que basicamente significa a conexão de todos os objetos usados no nosso cotidiano à rede mundial de computadores.

Esse conceito permite vislumbrar inúmeras possibilidades, desde o conceito de cidades inteligente, que são monitoradas por sensores e geram uma quantidade enorme de dados que podem ser interpretados pela inteligência humana ou artificial, de forma a atuar na cidade a fim de torna-la mais eficiente, menos poluidora ou mesmo mais agradável para as pessoas, até a conexão de objetos pessoais como fogões e geladeiras com a internet.

No Brasil, esta tecnologia em sendo utilizada em larga escala na área industrial, na automação de processos, identificando falhas e gerando dados para tomada de decisão.

Maiores detalhes, informações e curiosidades sobre essa tecnologia pode ser lida no   site da revista “O Setor Elétrico”, no link baixo: 
http://www.osetoreletrico.com.br/2016/2016/05/18/nova-revolucao-tecnologica/.

Outra aposta possível está na chamada nanotecnologia, que, segundo fontes poderá revolucionar a informática e a eletrônica. Além das áreas de eletrônica e informática, a nanotecnologia poderá revolucionar áreas como Medicina, Química e Física Quântica, nas indústrias que criam protótipos aeroespaciais e refinarias, por exemplo.
Maiores detalhes, informações e curiosidades sobre essa tecnologia pode ser lida no   site da revista eletrônica “Tecmundo” , no link baixo: 
https://www.tecmundo.com.br/amd/2539-o-que-e-nanotecnologia-.htm

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Concorrência Schumpeteriana e Inovação

(por Eduardo Pakulski Saleh, Gislaine Pereira e Maicon)

   Concorrência Schumpeteriana


   Para J. Schumpeter a “visão dinâmica e evolucionária de concorrência” na economia capitalista é percebida ao longo do tempo, por isso evolucionária. Sensibilizada pelo processo ininterrupto da introdução de inovação, tanto de produtos, processos produtivos ou matérias-primas, nas formas de organização produtiva, ou nos mercados, inclusive em termos geográficos.
    A concorrência Schumpeteriana caracteriza-se pela busca permanente de diferenciação, tendo em vista vantagens competitivas.

   Estratégias de Inovação
   
  As estratégias de inovação, que são recentes na literatura Econômica Industrial, são abordadas principalmente pela corrente Institucionalista-Schumpeteriana. Essa corrente focaliza sua análise na empresa, nos setores industriais e nas relações em rede com outros agentes econômicos.
      A empresa é tida como um organismo vivo e em permanente mutação, recebendo influências do ambiente, também emprega mudanças nesse ambiente, sendo capaz de transformá-lo ou criar novos mercados a partir da introdução de inovações tecnológicas.
      A corrente Schumpeteriana aborda três temas principais:

  • estratégias de entrada e permanência das empresas em uma nova indústria mediante introdução de inovações tecnológicas;
  • organização da inovação nas empresas, levando em conta a coordenação interna para implementação das estratégias de inovação;
  • abordagem de formas de organização externa adotadas pelas empresas para acessar e difundir as inovações surgidas no ambiente tecnológico.

Concorrência Schumpeteriana

(por Eduardo Pakulski Saleh, Gislaine Pereira e Maicon)

   Breve Histórico


   As empresas priorizam hoje atuar em um mercado que tenha mobilidade, sem grandes dificuldades quanto a suas escolhas de troca de setor. Porque nenhum setor tem garantia de geração de lucro, existem mercados com probabilidade de ter melhor retorno financeiro, mas isso depende, em grande medida, de decisões gerenciais. Por isso, em muitos casos, torna-se mais viável entrar mesmo que com barreiras à entrada em um setor que tenha mobilidade caso a empresa precise trocar seu ramo de atividade sem muitas adversidades para tal mudança, ou seja, se houverem poucas barreiras à saída.Breve Histórico

   Joseph Alois Schumpeter (Triesch, 8 de fevereiro de 1883 — Taconic, Connecticut, 8 de janeiro de 1950) foi um economista e cientista político austríaco. É considerado um dos mais importantes economistas da primeira metade do século XX, e foi um dos primeiros a considerar as inovações tecnológicas como motor do desenvolvimento capitalista. Além disso, marcou profundamente a história da reflexão política com sua teoria democrática a qual redefiniu o sentido de democracia, tida como uma simples maneira de gerar uma minoria governante legítima, ou seja, uma definição procedimental que passa a ser a base de diversas concepções posteriores.

FONTE: MIGUEL, Luis Felipe. ”Teoria democrática atual: esboço de mapeamento”. Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais BIB.


   O Pensamento de Schumpeter


   Não é verificado arcabouço teórico unívoco na teoria econômica para o entendimento entre a mudança tecnológica e a concorrência interfirmas, que existe são instrumentos analíticos, mutamente excludentes, ou não, conforme citado abaixo:
Abordagem neoclassica
Enfoque na literatura sobre a organização industrial
Análises schumpeteriana
Analises neo-schumpeterianas



   È possível sintetizarmos as duas últimas abordagens da seguinte forma:

Schumpeteriana:
   Aponta para o discernimento dos períodos de expasão e contração da economia e a ideía central para o entendimento das mudanças econômicas está na incorporação de inovações.

Neo-schumpeteriana:
  Eixo industria-mercado, onde se processa a interação competitiva estratégia versus estrutura, define possibilidades e oportunidades tecnológicas em produtos e processos. Esta abordagem permite verificar o comportamento das firmas e da estrutura de mercado num quadro dinâmico de mudanças técnicas

   Abordagem Schumpeteriana:

   A abordagem schumpeteriana considera as inovações e o desenvolvimento econômico, o lucro, o crédito, o juro, o capital os ciclos econômicos e a predição shumpeteriana quanto ao capitalismo.
Schumpeter conseguiu ampliar a análise econômica do plano estático para o plano dinâmico. Na teoria dos ciclos de Schumpeter o desenvolvimento econômico passa a ser visto como uma mudança espontânea e descontínua na estrutura produtiva existente. O desenvolvimento é definido como a realização de novas combinações, que são as inovações.
   Empresários inovadores são os indivíduos que implementam as combinações novas, colocando-as na prática e portando tornando-as relevantes economicamente para a sociedade.
   O fenômeno da inovação, ou o processo de progresso técnico,  é endógeno por natureza no sistema capitalista, uma vez que os agentes que visam o lucro, buscam maneiras de alterar as condições do ambiente econômico a fim de obter maiores lucros, ou o lucro extraordinário.
   A relação lucro - função empresarial – inovação, revoluciona a estrutura econômica a partir de dentro, ou seja, a procura do lucro através da inovação é fundamental para dinamizar a economia melhorando os processos, produtos ou serviços com vistas à maiores margens de lucro.
   A inserção de uma inovação no mercado implica um novo dinamismo na economia e contribui com a concorrência capitalista. Num primeiro momento há uma situação de maiores investimentos e lucros, até que num segundo momento surgem os imitadores da inovação, o que faz com que haja uma tendência ao equilíbrio, no entanto isso não chega a ocorrer devido à esse fenômeno ter um caráter assimétrico e está em constante transformação dinâmica, segundo Schumpeter.
   O conceito de “destruição criadora”, segundo o autor, é o processo incessante de inovações que revolucionam a estrutura econômica a partir de dentro, criando elementos novos e destruindo elementos antigos.
  O crédito é essencial ao processo econômico, pois parte das inovações são financiadas com recursos de terceiros, ou seja, o empresário inovador precisa de crédito, que pode ser traduzido como “força produtiva”, a fim de que este empresário possa inserir a inovação no mercado.
   Para Schumpeter, os ciclos da economia possuem quatro fases: prosperidade, recessão, depressão e recuperação. As fases de prosperidade e recuperação, envolveria o surgimento de inovações, e com ela a busca crescente por lucros.     Uma parte associada às crises (recessão e depressão) pode ser atribuída à quebras provenientes do desuso de produtos e processos decorrentes da inovação, ou seja, a destruição criadora, explicando assim os movimentos de contração e expansão econômicas.